segunda-feira, 9 de abril de 2012

Defending Jacob


Pois é... mais uma vez envolvo-me com um livro e deixo "You're wearing that: ..." de lado. Não é que a leitura seja ruim - muito pelo contrário - mas é que toda vez que deparo com uma crítica legal a respeito de uma obra, bate aquela vontade irresistível de lê-la.

Dessa vez, o livro escolhido foi DEFENDING JACOB. Drama com temática adulta profunda, que gira em torno do assassinato de um adolescente de uma escola em certa cidade dos EUA. É narrada em primeira pessoa, na voz de Andy Barber, promotor designado para o caso. Jacob é seu filho, colega de escola da vítima, que se vê acusado de ter cometido o crime.

Enfrentando uma situação que, no seu entender, é totalmente injusta, Andy Barber, uma vez afastado do caso por óbvio conflito de interesses, inicia uma jornada para tentar salvar seu filho da prisão ou - pior - da pena de morte. Com esse intuito, passa a investigar possíveis suspeitos, entrevistar colegas de escola de seu filho e, também, a fuçar as redes sociais das quais Jacob participa. Em sua opinião, seu filho é um garoto absolutamente normal, com os dilemas e esquisitices próprios de todo adolescente, incapaz de ter cometido um ato tão frio e brutal. Nem mesmo ao confrontar suas opiniões pessoais com a impressão que os colegas de Jacob possuem dele - totalmente divergentes -, Andy é capaz de elaborar um raciocínio imparcial.

Paralelamente, a mãe do garoto, Laurie, é a única que consegue admitir a possibilidade real de seu filho ter cometido o crime. Rebuscando o passado, Laurie recorda fatos que, vistos sob essa percepção tardia, adquirem novo significado e muda a imagem de Jacob diante dela. Laurie, atormentada, desconfia de Jacob e entra em conflito com o marido.

O livro toca num assunto delicado: o relacionamento entre pais e filhos, mais especificamente aborda a questão de o quanto exatamente uma mãe e um pai conhecem suas crias. Embotados pelo amor incondicional natural da relação, muitas vezes não conseguem enxergar defeito algum naqueles que estão sob seus cuidados.

Impossível ler o livro e não pensar em quantos pais acham que sabem tudo sobre seus filhos e, na verdade, estão longe de conhecê-los com profundidade. Como Andy e Laurie, interpretam atitudes estranhas e antissociais de seus rebentos como normais pra crianças ou adolescentes de sua idade. Muitos insistem em ignorar sinais claros de transtorno de personalidade. É mais cômodo fechar os olhos às esquisitices do filho e acreditar que o tempo tudo cura e resolve. Mas, infelizmente, nem sempre é assim, e acabam pagando caro pelo desleixo e comodismo.

Reconhecer problemas em um filho é tarefa intragável para quem é pai ou mãe. Aquele que é o alvo maior de seu amor não pode ter defeitos. Para muitos, reconhecer falhas em suas crias é admitir um fracasso pessoal inconcebível; é cometer um ato de deslealdade. Não sabem eles que, muito pelo contrário, encarar de frente a situação com tudo que ela traga de transtorno é sinal de maturidade e amor; é a chancela de competência e responsabilidade que os fazem merecedores de serem chamados de PAIS.

Defending Jacob é um livro surpreendente. Vale cada página.