quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Mais dois livrinhos lidos

Estou numa fase meio baixa pra leituras. Acho que por conta da correria que estou vivendo e consequente cansaço físico e mental. Pego no livro e já estou caindo de sono e, mesmo quando consigo permanecer acordada, a dificuldade de concentração é tanta que desisto logo.

De qualquer forma, consegui terminar - aos trancos e barrancos - mais dois livros este mês de outubro:

1) THIS BOOK IS FULL OF SPIDERS, de David Wong:

Livro de ficção, envolvendo horror e comédia. Invasão alien de aranhas que usam humanos como hospedeiros, transformando-os em zumbis. Livro pirado demais, mas bem interessante. O problema é que tem tanto movimento e ando tão cansada que, por mais interessante que seja, não consegui me envolver muito. Ao final, já estava promovendo uma leitura super dinâmica e o fim ficou meio nebuloso porque as puladas de parágrafos por conta da impaciência prejudicaram o entendimento final do livro. 

Digamos que dei uma roubada legal na leitura. Mas o livro é interessante, engraçado e tenso, tudo ao mesmo tempo.

2) THE BOY WHO HARNESSED THE WIND, de William Kamkwamba e Bryan Meale.
Esse livro foi uma surpresa enorme. Eu o adquiri pelo Kindle porque estava bem cotado pelos leitores da AMAZON (como todos os e-books que compro). 

Iniciei a leitura e, embora interessante, o livro era meio devagar, morno. A leitura se desenvolvia lenta, descritiva demais e, mais esquisito de tudo, com páginas e páginas de descrição - feita pelo personagem principal - de circuitos eletrônicos, magnetos e tudo relacionado à criação de energia. E eu sem entender o porquê.

Até que, lá mais pra metade do livro, pimba!, descubro que o livro é uma história real. Conta a vida de William Kamkwamba, um garoto africano, que, impossibilitado de frequentar a escola por falta de dinheiro e massacrado pela fome causada pela seca em sua vila, resolve construir um moinho de vento para gerar eletricidade para a sua casa. 

William era curioso e tinha muita sede de aprender. Se questionava sobre o funcionamento de tudo, desde o rádio do vizinho até um carro que via passar. Além disso, tinha um talento enorme para engenharia elétrica. 

Como não podia estudar, passava o tempo em uma biblioteca improvisada na vila pobre em que morava, lendo tudo que lhe vinha às mãos. Ali, deu de cara com um livro que ensinava como criar energia. Colocou mãos à obra e, juntando objetos descartáveis jogados em ferros velhos e decartados pelos vizinhos, construiu um moinho de vento que permitiu gerar luz para sua casinha - ali, onde morava, todos dormiam bem cedo, quase junto com o pôr-do-sol, porque a escuridão era total.

O moinho foi um sucesso entre os habitantes da vila, que achavam que o garoto estava ficando louco quando o viam ocupado na construção daquela "coisa esquisita". Um dia, uma pessoa influente viu o moinho e, daí pra frente, sua vida mudou. 

A história de William está no youtube, em blogs e até na Wikipédia. Basta colocar o nome dele e vários links aparecem. Alguns vídeos do youtube mostram ele mesmo contando sua história de superação. 

O livro é muito legal, muito bonito, muito impressionante. Ao terminar de ler, lembrei daquela frase cujo nome do autor esqueci: "Não sabendo que era impossível, foi lá e fez".

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Discussão de Relação

Ontem, à noite, eu e Iran enfrentamos duas horas de DR com as crianças. Tudo começou quando Duda chegou ontem da escola e me mostrou o convite para a festa de aniversário, no próximo sábado, de uma amiguinha da escola. Assim que me entregou o convite, lembrei-a de que estava de castigo por ter se comportado mal e feito cena com o pai durante o almoço de domingo, na casa dos avós, quando ele lhe chamou a atenção - educadamente - por algo errado que estava fazendo.

Naquela ocasião, além de virar os olhos atrevidamente quando o pai lhe dirigiu a palavra, ainda deu uma rabissaca atrevida e foi se esconder em um dos quartos. Quando fui procurá-la para o almoço, encontrei-a de cócoras num canto do aposento. Recusou-se a almoçar, chamando a atenção de todos com a birra. Dei-lhe uma bronca rigorosa pelo comportamento patético, acrescentando que, a partir daquele momento, ficaria de castigo por 15 dias, sem poder sair de casa com ninguém a não ser conosco, os pais.

Acontece que não voltei a tocar no assunto depois que voltamos pra casa, e ela achou que eu havia esquecido do castigo - ou ela mesma esqueceu que estava de castigo. O fato é que me falou do aniversário com a maior naturalidade e ficou surpresa e magoada quando a lembrei do que havia ocorrido. As lágrimas começaram a correr. Pediu para que eu mudasse o castigo, de forma que ela pudesse ir pra festa da garota. Respondi-lhe que castigo é castigo; não se negocia, não se muda. O que tinha que mudar era o comportamento dela - até porque não era a primeira vez que ela aprontava uma dessas fora de casa.

Sentamos todos para jantar e, ao final, ela voltou a tocar no assunto. Não arredei pé. Ela recomeçou a chorar. Aproveitei para lembrá-la de que eu e o pai costumávamos atender todos os desejos dela, mas que ela continuava teimando em ser respondona, não aceitando um NÃO como resposta pra nada que pedisse.

E a DR começou. Levantamos o tapete de nossas relações e varremos dali a poeira que estava guardada fazia tempo. Discutimos a relação entre as duas irmãs e a relação entre pais e filhos. E foi bom. Como foi bom! Duas horas de discussão de relação intensa, mas , ao final, pacífica e amorosa. Às vezes, entremeada com um pouco de choro por parte das duas, ou por uma autodefesa mais acalorada - embora ilegítima -, típica de quem ainda nem cresceu mas já se considera dono de todas as verdades do mundo. Acima de tudo, pautada por extremo respeito por parte de mim e meu marido, que também soubemos escutá-las e fizemos o mea culpa quando elas nos apontaram os erros, pedindo desculpas e prometendo mudar nossos comportamentos em determinadas situações. E elas ficaram visivelmente felizes com isso. Sentiram-se importantes.

Mas o que mais me impressionou foi observar como minha filha mais velha é corajosa. Embora tentasse negar seus erros no início da discussão - não por falha de caráter mas, sim, por medo de ser mais repreendida -, Eduarda logo compreendeu o propósito daquilo ao ver seus pais reconhecerem seus próprios erros e pedirem desculpas. Assumindo a máxima de que vale mais o exemplo do que o preceito, passou a assumir suas falhas e confessou que precisa mudar em algumas coisas. Naquele momento, mais do que nunca, eu e o pai sentimos muito orgulho dela.

Nanda, ainda tímida, porém, acima de tudo, muito medrosa, manteve-se mais calada. Ao contrário da irmã, ainda é frágil e, devo reconhecer, sonsinha em algumas ocasiões. Muitas vezes, usa sua fragilidade para expor a irmã, durante as briguinhas tolas que travam no dia-a-dia. Nessas horas, apela aos prantos pela interferência de nossas duas empregadas. Na ausência de coragem de enfrentar a irmã de igual para igual - afinal, ambas possuem quase a mesma idade e tamanho -, prefere assumir papel de vítima. Exortei-a a ser mais forte e assumir suas posições, enfrentando a responsabilidade pelos seus atos. Sabemos que ainda vai levar um tempo para mudar, mas já notamos que precisa de nossa ajuda para ser lapidada nesse sentido.

Duas horas depois, a reunião, que começou de forma tensa, com choros e emoções exacerbadas por parte das duas pequenas, terminou de forma tranquila e com muitas risadas. Pairando no ar, aquele sentimento de alívio enorme que se segue à lavagem de roupa suja em família que tem bons resultados - e nem todas têm, não é verdade? Mas essa valeu a pena.