domingo, 15 de dezembro de 2013

Velinha apagando

Fui visitar hoje dona Nalmar, mãe da minha madrasta. Está tão velhinha! 92 anos. Lúcida ainda, mas bem doentinha. Os médicos dizem que é questão de semanas ou dias, e ela se diz preparada para fazer a passagem.

Saímos da missa de domingo, eu e minha irmã, e fomos dar a ela o que provavelmente seria sua última comunhão. Conosco, uma ministra da igreja com a TECA, recipiente pequeno onde se leva a comunhão para pessoas impossibilitadas de ir à missa. 

Dona Nalmar estava sentada em uma cadeira confortável, com os pés sobre um banquinho. Ao seu lado, numa mesinha de apoio, uma imagem de Nossa Senhora. Apesar do calor de Natal, estava com uma manta sobre as pernas e o tronco. Compreensível, pois estava muito magrinha. Imediatamente associei sua imagem à uma velinha se apagando. 

 Aproximei-me dela, peguei com carinho suas mãozinhas pequenas e frágeis e disse:

- Dona Nalmar, tão bom ver a senhora novamente. Como vai? 

Ela me abriu um sorriso lindo e disse com a vozinha quase sumindo:

- Estou bem, minha filha, e logo estarei ainda melhor.

Aquilo me emocionou. Pensei que deve ser assim que partem aqueles que confiam em Deus: em paz. Nesse caso, quando essa vela se apagar, não haverá escuridão, mas o clarão da verdadeira Luz.