terça-feira, 15 de abril de 2014

Telefone-sem-fio

Olhem só o caso de telefone-sem-fio que aconteceu comigo, na segunda semana de dezembro, envolvendo quase toda minha família.

Tia Ilka, que mora em Natal, me liga. Meu telefone, como sempre, estava desligado, mas vi o recado e liguei de volta.

- É que o mensageiro do hotel me ligou dizendo que Duda ligou atrás de mim, dizendo que queria que eu depositasse uns dólares na conta de Veruschka. Só que eu não sei como fazer isso e não consigo falar com Veruschka.

- Tia, Veruschka falou com Duda, e Duda ligou pro hotel? Olha... né por nada não, mas acho difícil minha Duda fazer tudo isso. Ainda é uma criança.

- Pois é... eu liguei pra sua Duda e ela disse que não foi com ela que a Veruschka falou. Aí, eu tentei falar com a karla Kristine e não consegui.

- Mas o que Karla tem a ver com isso?

- Parece que ela sabe como resolver, mas não acho ela.

- Mas ela está aí em Natal, tia.

- É..., mas não está na casa de Ilna . Parece que está na Pipa e não consigo falar com ela nem com ninguém por lá.

- Tia... olha só... vou tentar achar Karla pelo twitter ou e-mail e peço para ela te ligar. Também vou mandar e-mail pra Veruschka e Alexandre, pois uma hora eles acessam e recebem o recado. É mais fácil do que por telefone. Mas não faça nada porque pode até ser um trote. Essa história de Duda está meio estranha.

- Tá bom... então eu vou esperar.

Nesse meio tempo, tive que ir até a casa de tia Icléa pegar uma coisa com tio Carlos. Chegando lá, conto a história e procuro saber se tia Icléa sabe de alguma coisa, pra poder ajudar tia Ilka.

- Minha filha, eu não sei de nada. Será que talvez a Karla pediu para Veruschka trazer algo dos EUA e a Veruschka está precisando que ela deposite o dinheiro antes?

- Huuuuummmm... é..., tem lógica. Pode ser isso. Pra falar a verdade, agora estou pensando que não entendi mesmo o que Karla Kristine tem a ver com isso tudo.

Fiquei matutando e liguei novamente pra tia Ilka.

- Ô, Tia, é que não entendi o que Karla Kristine tem a ver com essa história.

- É que mandaram um e-mail pro Miminho (Imis, meu tio, irmão de minha mãe e dessas tias todas).

- Ah!, sei!

Depois que deliguei o telefone é que fui me perguntar o que
Imis tinha tinha a ver com aquele rolo. Continuei na mesma.

Como eu havia esquecido o celular na casa de tio Carlos, onde constava o telefone de tia Ilka, não tive como ligar imediatamente pra tentar obter novos esclarecimentos . Mas também confesso que já estava com dúvidas se ela conseguiria esclarecer as coisas pra mim.

Karla continuava incomunicável. Preferi, então, esperar o e-mail de resposta da Veruschka, que apareceu em minha caixa no dia seguinte. Explicou que o Travel Money dela foi criado por Karla, e, por isso, tia Ilka tinha que entrar em contato com Karla para fazer o depósito. Veruschka disse que havia falado com Duda porque era a única pessoa on-line naquele momento para falar com ela.

Duda??? Poxa vida, pensei, eu havia falado com minha filha a respeito e ela afirmou categoricamente que não tinha falado com Veruschka nem por telefone nem por e-mail nem por msn. Como Veruschka continuava afirmando que havia falado com Duda?

Escrevi outro e-mail pra Veruschka, dizendo que a história estava esquisita e havia algum problema sério ali. Minha filha jurava que não havia falado com ela em momento algum. CUIDADO! Isso podia ser um trote ou algo assim. Pensei que alguém podia ter se passado por minha filha pra tirar dinheiro da Veruschka. O que estava acontecendo, meu Deus?

Aí, veio a luz em forma de e-mail: Veruschka me explica que Duda era a AMIGA dela (Veruschka), que estava on-line no momento e ligou pro hotel e falou com o mensageiro do Ocean.

Pode um rolo mais idiota? Acho que isso só acontece na minha família, porque só dá doido. Só as pessoas da família de tia Isis não foram envolvidas nesse rolo. Para preencher essa lacuna, como quem conta um conto sempre aumenta um ponto, dou meu toque pessoal à história: ninguém achava Karla porque ela estava em Tambaba, fazendo nudismo com tia Isis.

Minhas filhas

Ontem, eu precisava ficar até tarde no trabalho. Dois relatórios importantes pra fazer.

Toca o telefone. O pau comendo em casa entre minhas duas pequenas. Motivo? Fútil como sempre. As duas, no limite da histeria, se revezavam ao telefone comigo. Cada uma que gritasse mais que a outra. Enquanto uma se queixava ao telefone, a outra gritava ao lado se defendendo. Depois trocavam de lugar. 

Falei calma e pausadamente, firme como nunca fui, exortando-as a se calarem e pararem de implicar uma com a outra. Disse que estava indo pra casa e ai delas se a confusão não tivesse parado. Mas o pau e a gritaria do outro lado do telefone estava feio. Eu juro que não sabia se ria ou chorava. Levantei, olhei pro guarda que havia escutado minhas broncas e estava rindo - éramos apenas eu e ele no local -, caí na risada e fui embora desolada, preocupada porque havia prometido a meu chefe terminar os dois relatórios ontem.

Quando cheguei em casa, estava uma trancada no quarto estudando e a outra no quarto, enrolada nas cobertas, mexendo no celular. Ambas desconfiadíssimas. Entrei no quarto de estudos, beijei a testa da mais nova e disse:

- Boa noite, minha filha. Já jantou? 

- Ainda não, mamãe. 

- Venha aqui que mamãe faz algo pra você comer.

Entrei no quarto, beijei a testa da mais velha. 

- Já jantou, meu amor?

- Não.

- Venha comer algo, então.

Conversamos enquanto elas comiam. Depois fomos dormir. 

Amor, paz e tranquilidade são energias fortíssimas.