domingo, 26 de julho de 2015

Mancada

Putz! Fui atualizar o blog e todas as postagens em rascunhos subiram para a data de hoje. Perdi as datas originais em que as escrevi.

Gina Girina

Fui com meu marido e filhotas a Pirenópolis, cidadezinha deliciosa no interior de Goiás, que fica a 150 km de Brasília. Costumamos viajar pra lá nos feriados prolongados ou quando queremos nos afastar um pouquinho da rotina de cidade grande.

Na madrugada de sábado - mais ou menos 05h00 - sinto uma coisa gelada subir pelas minhas pernas, debaixo dos lençóis, com uma velocidade tremenda. Dei um duplo mortal carpado por cima do meu marido e, não sei como, cheguei ao interruptor de luz que ficava do outro lado do quarto.

Meu marido, assustadíssimo:

- Que foi, meu amor? Que foi, meu amor? Que houve? Que houve?

- Um bicho, um bicho subindo pelas minhas pernas.

Mas não sabia dizer que bicho. Parecia cheio de pernas quando esteve em contato com minha pele. Eu tinha certeza que era uma aranha.

E tome procurar a criatura dentro do quarto. Eu tinha certeza que não havia sido um pesadelo. A sensação foi real.

Depois de levantar lençóis, travesseiros, malas e tudo que tinha no quarto, meu marido achou uma rã debaixo do criado mudo.

E tome essa rã pular no quarto, com meu marido atrás dela.

A essa altura, as meninas estavam em festa, excitadíssimas com a caça.

Meu marido queria matá-la, pois estava com medo também - ele odeia bichos desse tipo! - , mas pedimos clemência pra criaturinha, a quem batizamos carinhosamente de Gina Girina. Até desodorante esborrifou em cima da pobre e ... nada! Descobrimos que rãs gostam de desodorante - aranhas não gostam, porque meu marido usou a mesma tática com uma aranha, em outra ocasião, e ela morreu.

Depois de muito pula pra cá, pula pra lá, conseguimos expulsar Gina do nosso quarto.

Voltamos a dormir tranquilos. Quer dizer.... nem tão tranquilos.

Educação Sexual - PARTE II

Domingo, eu, meu marido e minhas duas filhas assistindo ao FANTÁSTICO. No ar, a reportagem sobre o debate se é adequado incluir no currículo das crianças de sete anos de idade aula sobre educação sexual.

Minha filhinha de 9 anos:

- Mamãe, o que é SEXO?

Meu marido já olha pra mim. Respondo:

- Sua vez.

- Eu preciso de ajuda.

E tentamos explicar da forma mais simples do mundo. Tivemos algum êxito, mas sucesso mesmo foi descobrir que o pintinho do papai se chama pênis, nome que se parece muito com tênis. E tome gargalhada.

A mais nova, a certa altura, disse:

- E eu pensei que a sementinha entrava na mamãe pelo beijo.

E tome gargalhada.

Educação Sexual - PARTE I

Estávamos eu e minhas filhas assistindo à televisão no final de semana e passa aquela propaganda do BOSTON MEDICAL GROUP. Meu marido estava no computador, no hall que dá pro quarto.

Minha filhinha de sete anos se vira pra mim e pergunta:

- Mamãe, o que é ejaculação precoce?

(15 segundos de silêncio e olhando pra ela sem saber o que falar, esperando ajuda do meu marido que eu tinha certeza havia escutado a pergunta)

- Amoooooor! Pode me ajudar aqui?

- Nem pense. Estou ocupado! Resolva.

Ai, ai, ai...

Encontro de amigas

Hoje, reencontrei uma amiga querida que não via há anos. Nos conhecemos há 25 anos. Mora agora no Rio de Janeiro. Está separada e tem uma linda filhinha de 5 aninhos. Às vezes, passamos anos sem nos ver e sem se falar muito, mas, quando nos encontramos, é como se tivéssemos nos visto na noite anterior, como se nunca tivéssemos nos separado.

Intimidade total, confiança total. Esses encontros são muito bons. Oportunidade de falar e ser ouvida. Mas também de "ficar rouca" de tanto ouvir, ouvir e ouvir. Acima de tudo, compreender e ser compreendida.

Enquanto conversávamos, eu falava algo e ela me interrompeu dizendo:

- Eu sei. Conheço tua história toda, lembra?

Eu lembro e paro. Não é preciso muita explicação. Ela realmente sabe tudo de mim. E a conversa flui deliciosamente.

Como isso é bom. Como isso faz falta às vezes. Cheguei em casa com aquela sensação de nostalgia dentro de mim, um quê de saudade de nem sei o quê.

O prazer de aprender

Este ano minhas filhas estrearam em outra instituição de ensino, mais rígida, mais puxada.
Sempre foram ótimas alunas no colégio anterior, só tiravam notas excelentes, mas eu e meu marido sabíamos que poderiam sentir certa dificuldade nesse em que estão agora. A fama de rigidez da nova escola é grande.

Ontem, ao chegar em casa, à noite, minha pequenina de 7 anos veio ao meu encontro, quase chorando, visivelmente contrariada porque não conseguiu fazer algumas partes dos deveres de matemática. Assustada também, porque nunca deparou com essa dificuldade no outro colégio. Ela e a irmã sempre faziam as tarefas sem qualquer dificuldade, e eu e meu marido quase nunca precisávamos interferir ou ajudá-las em algo. Esse, aliás, foi um dos motivos por que as tirei de lá. Achei que não eram exigidas o suficiente, de acordo com a capacidade delas.

Sentei com ela e, na maior paciência e amor, expliquei-lhe como fazer o dever. De quebra, adicionei outros exercícios aos que ela já estava fazendo, somente para reforçar o aprendizado. Sob meu olhar atento, resolveu o primeiro problema de forma certinha, e seu rostinho se iluminou com um sorriso lindo de descobrimento e alegria. Ao ver aquilo, eu, que nunca consegui entender o porquê de alguém gostar da profissão de professor de crianças - que sempre achei um saco, cansativa, desgastante -, passei a entender essa preferência. Definitivamente, não há nada mais lindo do que a luz da descoberta e do aprendizado refletida no rosto desses pequeninos.

Lutas internas

Nenhuma luta é mais cansativa do que aquelas que travamos internamente, buscando manter nossa lucidez, autocontrole e domínio de nossas emoções mais primitivas.

A culpada

Hoje, quando chegou do colégio, minha filha de sete anos me procura e, com uma prova escondida atrás das costas, ela me diz:

- Mamãe, olha..., eu estou com uma prova aqui, mas não adianta ficar com raiva de mim porque essa nota foi a professora quem deu.

Juro que demorei alguns segundos para processar o que ela falou.

Tirou uma nota muito boa (8,94, de 10,0), mas, como está acostumada a tirar mais de 9,0, achou que a nota era baixa.

Olhei para a cara dela e disse:

- Como assim "foi a professora quem deu" a nota? Desde quando a professora é a responsável pelas notas que você tira no colégio, mocinha??

Lembrei de um gif que recebi esses dias, muito interessante. Segue:

50 netos

Hoje, bem cedo pela manhã, ao acordar, minha filha correu pra minha cama e disse:

- Mamãe, eu tive um pesadelo horrível.

- Jura, minha filha? Que pesadelo foi esse?

- Eu sonhei que tinha 50 filhos. Fiquei apavorada.

- Credo! 50?? E foi ruim mesmo?

- Mas era você quem cuidava deles.

TÓÓÓÓIMMMMMMM!!!!

Esquisita e contraditória

Estamos todos sentenciados ao confinamento solitário dentro de nossas peles, por toda a vida.
(Tennessee Williams)

Hoje, tirei a tarde de folga porque estava meio agoniada. Minha vida anda tão corrida que eu estou num estresse só. Trabalho, mil reuniões, levar crianças na escola, resolver coisas correndo no curto espaço de tempo do horário do almoço, pegar crianças na escola e enfrentar um senhor engarrafamento, ir pro krav magá, enfim, parece que estou sempre correndo atrás de uma coisa ou outra. E, quando o fim de semana chega, sempre um compromisso ou outro para atender. Sorte que meu marido está sempre comigo, dividindo ou compartilhando comigo essas tarefas.

Não que eu tenha algo do que reclamar. Nada disso. Graças a Deus estou com saúde e tudo se resolve de forma satisfatória. Mas é que não consigo ficar muito tempo nesse ritmo alucinante sem dar uma parada. Eu preciso de silêncio e quietude como preciso de comida, senão fico mal. Por isso, às vezes me permito esses momentos de total isolamento. Tranco-me no quarto, ligo a tv - às vezes nem presto atenção ao que passa na telinha, pois fico divagando -, ou leio um livro, ou durmo um pouco. Apenas eu e Deus.

Nessas horas, eu me reabasteço de mim mesma. Engraçado, não é? Enquanto a maioria das pessoas passa o tempo todo procurando companhia desesperadamente, com medo de se sentirem sozinhas, eu sempre busquei um pouco de solidão aqui e ali. Muitas vezes me pego pensando que, se não fosse casada, provavelmente seria uma dessas pessoas esquisitas que passa a maior parte do tempo lendo, restrita aos limites da minha casa. Só não teria gatos - sou extremamente alérgica a eles. rrrrrssssssssssss.

Não é que não goste de contato com pessoas. Muito pelo contrário. Eu gosto de gente e até me considero um ser gregário! Mas, de vez em quando, gosto de estar só, quieta no meu canto, no total silêncio.

Criatura esquisita e contraditória sou eu.

Desfile da Disney na Esplanada dos Ministérios

Eu, Iran, as crianças, Andréa, Maria Fernanda, Marivaldo, Renata e as crianças, Flávia e Beatriz conseguimos sobreviver ao desfile da Disney que ocorreu ontem na Esplanada dos Ministérios, na comemoração dos 50 anos de Brasília.

Brasília amanheceu ontem com um céu belíssimo - aliás, eu sempre digo que não existe céu mais bonito do que o desta cidade. Sol a pino. Não havia uma nuvenzinha sequer pra fazer uma sombrinha de vez em quando. O azul mais lindo do mundo.

O desfile percorreu a Esplanada, cercada por grades que impediam o avanço do povo. As pessoas se apertavam umas contra as outras, tentando conseguir uma brecha para ver a parada.

Andréa chegou cedo e pegou um lugar encostado na grade, facilitando a visão das crianças. Logo depois, chegamos eu, Iran e as meninas, seguidos por Marivaldo, Renata, as crianças, Flávia e Beatriz. Colocamos as crianças encostadas na grade - exceto minha Fernanda, que se revezou nos meus ombros e nos de Iran, e Thiago, que ficou nos ombros de Marivaldo.

O desfile estava marcado para as 10h30, mas atrasou um pouco e começou quase 11h00. Cerca de doze carros com diversos personagens da Disney desfilaram diante dos olhos desesperados de cansaço e calor dos adultos e extasiadamente maravilhados das crianças. Havia um intervalo desesperador de mais ou menos 5 minutos entre um carro e outro. Iran ansiava pelo carro do Mickey, porque acreditava - acertadamente - que seria o que fecharia o desfile. E vieram os carros do Pato Donald e Margarida, Pequena Sereia,
Peter Pan, Toy Story, Lilo e Stitch, Tinker Bell, os vilões da Disney, Mene e as ferramentas - os adultos que estavam ali nunca nem tinham ouvido falar desse - Jack Sparrow e os piratas do Caribe, Ursinho Pooh, as princesas, Mogly, os Dálmatas e, finalmente, pra fechar o desfile, MICKEY e MINNIE.

Vale destacar a hora em que Cruela, a vilã dos Dálmatas, passava deslumbrante e o povo gritava DILMA! DILMA! DILMA!
Isso não tem preço.

Mesmo com nós, adultos, formando uma parede para proteger as crianças que estavam em nossa frente, umas outras cinco crianças, instadas pelos pais, conseguiram penetrar esse bloqueio e disputaram lugar com nossos filhos. Andréa ficou fula da vida e desceu do salto com a mãe de uma dessas crianças. A mulher chegou às 11h00 e queria ficar na frente também. Xingava Andréa e mandava as filhas delas tomarem cuidado porque Andréa ia bater nas meninas. E Andréa incorporou:

-
Escuta aqui, minha senhora, eu sou mãe e não vou bater nas suas filhas, mas acho uma tremenda cara de pau da sua parte chegar às 11h00 e ainda querer ficar na nossa frente. Se enxerga, minha filha! Eu cheguei aqui às 08h00 pra pegar lugar. Se a senhora queria ficar na frente que chegasse cedo.

Geniozinho bom da família. Tive o maior orgulho da minha priminha defendendo nossas crias. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

Flávia, a essa altura, já tinha ido atrás de uma sombra, porque Beatriz adormeceu - ou talvez tenha desmaiado, ninguém sabe ao certo - nos seus braços. Só voltamos a vê-la depois na casa de tia Icléa.

E Iran continuava a perguntar a Fernanda, empoleirada nos seus ombros:

- Fernanda, minha filha, você consegue ver se o próximo carro já é o do Mickey?

- Não, papai, acho que ou é do
Tarzan ou da Tinker Bell, porque é verde.

-
%$#@$%*$# ! Amor, você e Andréa nunca mais vão me convencer a participar de uma coisa dessas, ouviu? Nunca mais! Foi a primeira e a última vez.

Ele se esquece que quem inventou essa história foi Airtinho. Sim, meu querido irmão foi quem nos falou do desfile da Disney, mas não ficou pra ver. Na verdade, nem conseguimos encontrar com ele, Carla e Marcella naquela confusão de gente. Ele participou da corrida de revezamento e depois, como estava pingando de suor, foi-se embora com Carla e Marcella.

Renata, espremida bem atrás, sem conseguir ver coisa nenhuma, ao me ouvir reclamar do calor e da dor na coluna, dizia:

-
Prima, pelo menos você consegue ver alguma coisa. E eu aqui que estou espremida e não consigo ver nada?

- Se preocupa não, prima. Eu "twitto" pra você. Agora, neste exato momento, o Mogli está passando com chapinha no cabelo e vestido com uma cueca vermelha ridícula.

E tome gargalhada.

Enquanto isso, um cara que estava atrás do Iran e não conseguia ver coisa alguma, não perdia a chance de ser engraçadinho. Chamava Iran de assessor de Imprensa e perguntava:

- Ô, meu assessor de imprensa, diz aí quem tá passando agora.

Olhava pro homem da equipe de apoio, que ficava depois das grades, na nossa frente, e dizia:

- Ei, Apoio! Fala comigo que eu tô carente.

Antes do desfile começar, enquanto derretíamos de calor, ele soltou esta:

- É nessas horas que a gente dá valor pro sofá de nossa casa.

Havia uma mulher com um guarda-chuva enorme atrás da gente, cuja sombra conseguia atingir Marivaldo, Renata e um pouco de Iran. Mas, quando Iran colocou Fernanda nos ombros, a ponta do guarda-chuva ameaçava os olhos da pequena. Quando eu vi aquilo, eu gritei:

-
Fecha o guarda-chuva! - eu ainda não tinha notado que Marivaldo, Renata e Iran estavam desfrutando da sombra dele.

Iran grita:

-
Você tá louca? Cala a boca! Não fecha o guarda-chuva, não!!

E Marivaldo se
junta ao coro:
- Deixa o guarda-chuva aberto, minha senhora! Ela não sabe o que está falando.

Acho que o povo pensou que ia sair briga porque não sabiam que estávamos todos juntos.

E
tome mais gargalhadas.

- Fernanda, minha filha, diz pra mim que quem vem agora é o carro do Mickey.

- Não, papai. Agora é o carro das princesas. Que legal!

-
%$#@$%*$# ! Afinal, alguém sabe dizer quantos personagens tem a Disney?

De repente, não sei de onde veio nem como, uma garotinha de uns quatro anos está plantada na minha frente, apertada, sem conseguir ver nada. Olhei pra ela e perguntei:

- Quem é você?
Cadê seus pais?

Olhei em volta e vi um suplicante, lá atrás, olhando pra mim com aquela cara do gato de botas do SHREK:

- É minha filha. Ela tá querendo ver também. Dá um jeitinho aí.

Pensei em recusar e mandar a garotinha de volta, pois ali já estava muito apertado. Mas ela me olhou com aquele olhar pidão, sem dizer uma palavra, e eu acabei cedendo. Resultado: a cada carrinho que passava, eu - ferrada de dor na coluna, saindo de uma crise braba que me atacou desde domingo e ainda sob efeito de remédio - levantava a criaturinha pra ver. Ainda bem que era magrinha, viu.

Nesse meio tempo, umas cinco outras crianças já tinham conseguido ultrapassar nosso bloqueio. Um deles, um tal de Vítor, com seus 9 anos, tentou ficar na frente de um garoto maior que estava mais pro lado. O garoto não deixou. Volta o Vítor, pau da vida, e reclama pra mãe. A mãe responde:

- Volta pra lá e diz que você tem direito.

Lá vai o Vítor de volta, furando nosso bloqueio, pra fazer valer os seus direitos:

-
Ei, me deixa ficar aí porque eu tenho direito. Eu sou menor que você e tenho direito de ficar na frente.

O pedido funcionou. Vítor conseguiu um cantinho na frente, encostado à grade.

Esse Vítor encheu o
saco. Lá da frente gritava pra mãe que estava lá atrás:
- Mãe! Ei, mãe!! Levanta a mão aí pra eu te ver!

A mãe dava tchau lá de trás e ele gritava:

-
Saudades, mãe!

Daqui a pouco, o Vítor gritava:

-
Mãe, passa o fandangos!

E lá vem o fandangos, lá de trás, passando de mão em mão - ou de mãe em mãe - até chegar nas mãos do Vítor.

E, assim como o Vítor, todas as crianças que haviam furado nosso paredão pediam uma coisa ou outra. E vinham água, yakult, pipoca, coca-cola, cachorro-quente. Acho que só não passaram por nossas mãos frango e farofa, porque tinha de tudo um pouco.

-
Ei, manda esse yakult aí pra minha filha, aquela moreninha ali.

E lá vinha o yakult passando pelo alto, por cima de nossas cabeças, até chegar nas mãos da garotinha, que gritou de volta:

-
Mãe! Eu não quero yakult. Quero água.

Volta o yakult de mão em mão e vem a água!

- Fernanda, minha filha, agora é o Mickey ou não é???

- Não dá pra ver, papai. Peraí.... tô quase vendo....
É O MICKEY, SIM, PAPAI! É O MICKEY E A MINNIE!

Nesse momento, uma cena linda de se ver: Iran e Marivaldo pulando de alegria e gritando juntos:

-
ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!! É O MICKEY! QUE ALEGRIA! É O MICKEY! FINALMENTE O MICKEY!

O mickey passou, fechando o desfile, e, finalmente, pudemos ir embora. Olhei pras baixinhas e perguntei:

- E, aí, meus amores, vocês gostaram?

- AMEI. - diz Nanda.

- ADOREI, mamãe. - responde
Duda.

E lá seguiram comentando cada carro do desfile, ainda extasiadas. Ainda tivemos que caminhar da Esplanada até o Setor de Autarquias, único lugar onde conseguimos estacionar o carro.

Flávia, que tinha ido com Renata e Marivaldo, não estava mais lá porque tinha conseguido carona de volta pra casa, com uma amiga vizinha. Mas, quando chegou em casa, notou que havia levado as chaves do carro. Teve que pegar um outro carro e voltar pra entregar a chave a Renata e Marivaldo.

Resumo da história: Duas coisas fizeram valer essa agonia toda: a cara de satisfação das crianças e o fato de estar participando da festa de aniversário da cidade que amo e que me adotou há 31 anos.

The HELP

Estou lendo um livro muito bom, daqueles difíceis de deixar de lado quando se começa: THE HELP, de Kathryn Stockett, uma autora americana.

A história do livro se passa nos anos 60, em Jackson, capital do estado do Mississipi, no sul dos EUA. A própria autora viveu ali quando criança. O racismo é o ponto central da trama, que é contada sob a perspectiva de três mulheres: duas negras empregadas domésticas (HELP é como a profissão é conhecida, por isso o nome do livro), e uma branca. Esta, de nome Eugênia, mas conhecida como Miss Skeeter, é amiga de infância das patroas das duas negras, mas, ao contrário das amigas, não concorda com a forma discriminatória com que elas tratam os
colored. Miss Skeeter está tentando se lançar como jornalista e escritora e resolve escrever um livro sobre a vida que as negras levam trabalhando na casa dos brancos. Para isso, pede ajuda das empregadas domésticas negras, que morrem de medo de se associar à mulher branca nessa empreitada, pois, com um racismo ferrenho e cruel dominando o Mississipi da época, elas sabem que correm o risco de serem linchadas se forem pegas de bate-papo com Miss Skeeter.

Gosto de ler livros em inglês pra poder aperfeiçoar o vocabulário, mas THE HELP traz uma dificuldade a mais: os capítulos narrados pelas duas negras são cheios de erros de gramática, principalmente concordância e ortografia. Não há neles uma frase sequer que seja construída de forma correta. Esse recurso foi usado pela autora com o objetivo de tornar mais real a narrativa, pois as duas negras, Minny e Aibileen, são totalmente analfabetas. No entanto, para quem não tem o inglês como língua nativa, a leitura pode se tornar quase que um trabalho de decifração de código.

Estou satisfeita, no entanto, porque não tenho encontrado dificuldade alguma em lê-lo apesar dessa particularidade. Muito pelo contrário. Consigo entender toda a narrativa e ainda apontar onde os erros ocorrem. Isso significa que, pelo menos para leitura, meu inglês está bem desenvolvido.

Procurei na Livraria Cultura a edição em português, mas ainda não existe. Porém, do jeito que o livro é bom e está fazendo sucesso - muito elogiado pelos principais jornais e revistas dos EUA -, não tenho dúvidas de que logo será traduzido para diversas outras línguas. É só esperar.

Eu estou lendo...


Ontem, comecei a ler o livro acima (MADAM SECRETARY, A MEMOIR BY MADELEINE ALBRIGHT). Ainda estou no comecinho, mas o livro promete ser muito bom.
Este ano, resolvi caprichar na leitura dos livros de língua inglesa. Quero deixar o vocabulário afinadinho.

POOOBRE!

Já falei aqui que, em maio deste ano, estive em New York e Lexington (Kentucky). Nessa última parada, ficamos na casa de meu cunhado, que faz mestrado em odontologia na Universidade do Kentucky.

Como Lexington estava muito seco, resolvi usar um dos cremes da Victoria's Secret que comprei em New York. Resolvi abrir um diferente, com aroma de baunilha e sândalo. Comprei-o por recomendação de uma amiga que foi conosco para New York. Ela viu o creme na prateleira e disse:

- Marcinha, eu uso esse aqui e acho ótimo. Pode comprar que você vai gostar.

Como eu já conhecia e usava bastante o LOVE SPELL, resolvi variar e comprei alguns desses outros - aproveitei e comprei dois para levar de presente pra duas primas minhas de Brasília, Karla e Déa.

Pois bem... em Lexington, minha pele ficou muito esquisita. Além de muito grossa, fiquei com duas irritações bem vermelhas entre os braços e antebraços. Coçava muito. Achei que era da secura, ou alguma alergia à água da cidade, que diziam ter muito cloro.

O problema só melhorou depois da volta pra Brasília.

Bem... ontem, no krav magá, encontrei minha prima, Karla. Ela me disse:

- Prima, sabe aquele creme que você me deu da Victoria's Secret? Eu estava usando como hidratante e ele era para banho, uma espécie de creme sabonete. Eu nem notei porque não li o tubo, mas, quando passei, notei que minha pele ficou meio colando e eu achei estranho. Aí, peguei pra ler e estava lá escrito "moisturizer and body wash".

Bem, aí, vocês podem imaginar que quase caí dura, né? Ela estava falando do creme que eu havia comprado e estava usando em Lexington. Como eu não enxergo bem, comprei por recomendação da minha amiga e comecei a usar nos braços, sem ler o que estava escrito no tubo. Resultado.... imagine passar sabonete como hidratante, saindo ao sol, passando o dia todo com ele na pele. Ainda bem que, como o creme não era dos mais baratos e o tubo não era muito grande, eu resolvi só passá-lo nos braços.

Eu e minha prima quase morremos de rir quando contei pra ela que eu havia cometido - repetidamente - o mesmo erro. Ela, pelo menos, foi mais esperta que eu, porque notou que algo havia errado.

Por coincidência, como eu havia trazido outros cremes dos EUA, assim que cheguei no Brasil, experimentei outros e deixei o de baunilha de lado. E a irritação passou com o tempo. Aí foi que pensei mesmo que era alergia a alguma coisa da cidade Lexington.

Contei pro meu marido e ele não para mais de me encarnar, me chamando de POOOOOBRE.

- Sua pooooobre! Aquilo ali é primeiro mundo. O povo toma água da torneira e tu culpando a água.

E tome gargalhada.

Amor, ódio e assassinato

Depois de saber que:

1) Ao que tudo indica, o tal do Bruno, goleiro do flamengo, mandou mesmo matar a tal da Eliza, sua amante, e contratou um traficante para dar fim ao corpo, esquartejando-a e desossando-a, dando os restos pra cachorros;

2) Ao que tudo indica, o tal Mizael Bispo dos Santos, namorado da advogada Mércia Nakashima foi quem a matou;

resolvi ter uma conversa séria com meu marido hoje:

- Benzinho, se quiser separar, não tem problema, viu? Eu não peço nem pensão pras crianças. Mas, por favor, não precisa me matar.
AFFFFFF!

Amigo bom

Amigo bom, bom mesmo, é aquele com quem você se sente confortável. E o significado de CONFORTÁVEL abrange diversas situações, inclusive poder ir ao aniversário do amigo, mesmo meio indisposta, e sair depois à francesa, antes do parabéns.

O amigo sabe que você foi lá, não leva pelo lado pessoal você ter saído sem se despedir - sabe que você tinha lá seus motivos -, e no dia seguinte trata você da mesma forma, com carinho, sem dramas, sem chantagens emocionais, sem biquinho.

Esse é apenas um dos inúmeros aspectos que ilustram o que quero dizer com "confortável". Ontem, eu estava me sentindo podre com uma TPM violenta, enxaquecada, sem saco pra nada. A vontade que eu tinha era ficar em casa quieta, deitada na cama assistindo a um filme ou lendo um livro, sem ninguém me perturbar.

Mas tinha o aniversário de uma grande amiga ao qual não podia faltar. Fui. Mas estava me sentindo tão passada! Ainda saí de lá depois da meia-noite, mas não falei com ninguém. Meu marido se despediu das pessoas, as meninas já estavam empoleiradas em algum lugar da casa dormindo, e eu saí de fininho sem falar com ninguém.

Na boa. Hoje, conversei com minha amiga, expliquei o que tinha ocorrido e ela respondeu na hora:

- Nem se preocupe, eu sei exatamente o que é isso. Comigo não tem galho, você sabe. Eu que tenho que agradecer por você ter vindo mesmo se sentindo indisposta. Na semana passada, quando você me chamou pro clube, eu estava com o mesmo problema e recusei seu convite. Então, nem liga. Eu compreendo perfeitamente.

E só.

Papai noel e fada dos dentes

PAPAI NOEL EXISTE?

Todos os anos, minhas duas filhinhas fazem uma relação dos presentes que querem ganhar do papai e da mamãe, do vovô e da vovó e do Papai Noel. Este ano não teve o pedido pro Papai Noel. Desconfiada com aquilo, perguntei pra minha filhinha de 10 anos se ela ainda acreditava em PAPAI NOEL. Ela me respondeu sem hesitar:

- Não, mamãe, eu já sei que Papai Noel não existe.

-Ué! E quando foi que você descobriu que papai noel não existe mais?

- Mamãe, lembra daquele Natal que a gente passou na casa da tia Lucy? Lembra que o papai noel foi lá? Pois é... eu vi o elástico segurando o bigode e a barba dele e vi que era de mentira.

Pensei que aquele papai noel merecia um puxão de orelha por ser tão descuidado, mas não pude deixar de rir.

O FADA DO DENTE

Tá..., minhas filhas não acreditam mais em Papai Noel, mas ainda acreditam piamente que existe a fadinha dos dentes, aquela que troca por moedinhas de verdade os dentinhos que caem e são colocados debaixo do travesseirinho delas.

Ontem, arranquei um dentinho da pequena de 8 anos, e falei pra ela colocar o dentinho debaixo do travesseiro para a Fadinha trocar por uma moeda. Ela foi animadíssima.
Acontece que lá em casa tem O fada do dente, e não A fada. Meu marido é quem faz as trocas. Eu sou só a assistente do fada, que cuida de sua agenda, avisando quando é dia de troca.

Mas como assistente do fada eu sou uma bosta. Esqueci de avisar ontem meu marido que o fada tinha trabalho naquela noite. Hoje, pela manhã, vieram as duas decepcionadíssimas a minha cama dizendo que a fadinha havia esquecido de fazer a troca do dentinho pela moedinha. Meu marido olhou pra mim querendo rir, com aquela cara de você-não-me-avisou, e já arranjou uma desculpa na hora - a meu ver horrível, mas que colou:

- Ah!, filhinhas! Nesta época do ano caem muitos dentinhos. A fadinha devia estar ocupada demais e não pôde passar por aqui. Mas coloquem o dentinho de novo que uma hora ela passa e faz a troca.

Lá foram elas animadas novamente resgatar o dentinho debaixo do travesseiro para que não se perdesse, e aguardar a noite chegar para novamente colocar o dentinho lá e esperar a fadinha efetuar a troca.

E meu marido quase me despediu do cargo de assistente do fada.

Odiar é diferente de não gostar

Já vivi muito tempo para aprender que há pessoas com as quais a gente nunca vai se dar bem, não importa o quanto nos esforcemos pra isso. Pessoas com as quais nossos santos não combinam. Esse tipo de animosidade faz parte da dinâmica de relacionamento entre as pessoas. Acontece e pronto.

Essa antipatia não traria grandes problemas se somente ocorressem entre pessoas que não frequentassem o mesmo círculo de familiares ou amigos. Sabe aquele chatonildo do trabalho? Pois é..., a gente se limita a falar com ele apenas o essencial e, quando o expediente acaba, não temos mais que aturá-lo, dividir uma mesa de barzinho com ele, almoçar ou jantar fora com a criatura desagradável, ou mesmo frequentar a casa um do outro. Podemos simplesmente evitá-lo, riscá-lo de nossa vida social.

Mas, quando essa animosidade ocorre entre pessoas da mesma família, a coisa pega. Há que se ter muita diplomacia - e, convenhamos, uma certa dose de "falsidade" - pra lidar com essa situação. Você não suporta a pessoa, sabe que ela também não lhe tolera, mas tem que cumprimentá-la com educação - afinal, você se considera uma pessoa civilizada. - e, vez por outra, travar alguma conversa com ela. Mas a verdade é uma só: se ela não fosse da sua família, ela não figuraria na sua agenda de endereços nem na lista de convidados para eventos promovidos por você, o número dela não estaria no seu celular e, definitivamente, ela não faria parte da sua relação PESSOAS COM AS QUAIS EU DESEJO SOCIALIZAR.

O problema é que, para o resto dos membros da família ou amigos mais chegados, isso é um PECADO. E, muitas vezes, as pessoas veem a repulsa que você sente pela pessoa como um sinal de ódio. E a verdade é que não é nada disso. Você apenas não gosta daquela pessoa, não se sente bem na presença dela, não confia nela como não confiaria numa serpente, e, simplesmente, quer manter o menor contato possível com ela. Troca de palavras com ela apenas se limitando a um breve "Olá, tudo bem?" e um "Tchau, até mais ver!" E, cabe ressaltar, você tem TODOS OS MOTIVOS para se sentir assim em relação à criatura.

Nada a ver com ódio, portanto. Simplesmente é um "não gostar". E ninguém é obrigado a gostar de todo mundo. Mas somos, sim, obrigados a ser civilizados e a tratar todos - mesmo os nossos desafetos - com respeito. A não ser, claro, que eles não mantenham essa mesma política e tentem passar dos limites conosco. Aí, não tem jeito. Desça do salto, incorpore a maria-do-mangue e vai pra cima. Claro que com a reação proporcional à ação. Aos inimigos, a forma da lei.

Assim, abomino esse papinho de que a vida é curta demais pra perdermos tempo com rancores bobos, ódios, e que é preciso perdoar sete vezes sete a perder de vista. Coisa nenhuma! Na minha opinião, a vida é curta demais pra perdermos tempo com gente que não vale nada, já provou que não merece nossa confiança e amizade, e não procura melhorar, evoluir, sempre se repetindo nas merdas que fazem e nos tornando reféns de suas atitudes desprezíveis.

Dessas pessoas, quero distância, sim. E quem quiser que vá com seus discursos de seres evoluídos pras bandas de outrem. Quando se trata de gente que não presta, sou primitivíssima. Pau neles!

Família

A family is a place where minds come in contact with one another. If these minds love one another the home will be as beautiful as a flower garden. But if these minds get out of harmony with one another it is like a storm that plays havoc with the garden.

Uma família é um lugar onde as mentes entram em contato umas com as outras. Se essas mentes se amam, o lar será tão lindo quanto um jardim de rosas. Mas se essas mentes não se harmonizam umas com as outras, é como uma tempestade destruindo o jardim.
(Buddha)


Evolução do Otto


21/02/2011: dia em que encontramos Otto na rua, quase morrendo. Devia ter uns 5 meses de idade. Nós o resgatamos e o internamos em uma clínica veterinária.



25/02/2011: Otto, no colo do meu marido, quatro dias depois que o encontramos e o internamos para tratamento. Já lavado e melhor de saúde.


02/08/2011: Otto agora, cinco meses depois de resgatados das ruas, devidamente amado e mimado pela minha cunhada Carla, que o adotou. Um denguinho de cachorro. Está lindo de morrer. Cachorro com uma índole adorável. Conquista todos que o conhecem.


A troca

Cansada de sair de casa e ver as meninas afundadas no sofá vendo televisão ou - pior - enfeitiçadas pelo computador, decidi colocar moral:

- Hoje, assim que acabarem de fazer o dever do Kumon, saiam com Antônia e dêem três voltas ao redor do condomínio.

Depois, orientei a babá que se houvesse, por parte de qualquer uma das duas, recusa em atender meu pedido, eu deveria ser avisada imediatamente por telefone.

Nosso condomínio é bem pequeno. As três voltas consomem cerca de 20 ou 25 minutos. Meu objetivo, ao dar a ordem, era fazê-las se movimentar um pouco, tomar um banho de sol - que, aliás, naquele dia, estava maravilhoso.

Eduarda, como sempre, ficou irritada, protestou, mas eu nem dei cabimento pra argumentação. Entrei no carro e fui trabalhar.

Cheguei no trabalho e, dali a algum tempo, toca o telefone da minha mesa.

- Oi, mamãe, é Nanda.

- Fala, filhinha.

- Mamãe, você mandou a gente dar três voltas no condomínio, não foi?

- Foi, amor. Por quê?

- Será que poderiam ser duas voltas e aí a gente fica lá fora brincando de elástico?

Controlei-me para não cair na gargalhada com a proposta dela.

- Não tem problema, amor. Podem fazer isso. Mamãe só quer que vocês brinquem lá fora um pouco, tomem sol, em vez de ficar o tempo todo trancada dentro de casa vendo TV ou brincando no computador.

Desligou satisfeitíssima.

No dia seguinte, mesma orientação, bem antes de eu sair pro trabalho. De repente, vejo Duda chegando ofegante. Saquei logo: para voltar logo pro computador, deu as três voltas correndo. Espertinha, a garota. Mas a mãezinha dela é mais. Imediatamente, estabeleci nova regra:

- Filhinha, as três voltas devem ser CAMINHANDO, e não correndo, ok?

Ela ficou meio sem graça, mas não falou nada.

Cada uma, viu!

A minha real natureza

Eu me considero uma pessoa de bom caráter. Sinto remorso ao encarar meus próprios erros, tenho compaixão, pratico a empatia, enfim, eu acho que poderia me classificar como sendo "do bem".

Obviamente, com direito a falhas, defeitinhos incômodos, aquela vontade de estrangular alguém de vez em quando, enfim, todo aquele arcabouço próprio da natureza humana. E com a consciência de que, na verdade, todos vivemos a dicotomia do bem e do mal, sempre alternando entre uma coisa e outra.

Porém, ao ler o livro LORD OF THE FLIES, veio-me aquela dúvida se minha natureza inata era essencialmente boa ou má. Será que eu já nasci com bom caráter ou estreei má e fui moldada pro bem?

A questão é: tomando-se como parâmetro o caráter que tenho hoje, se eu nasci má, posso afirmar, então, que evoluí bastante; mas, se já nasci boa..., ah!, que evolução lenta essa minha, meu Deus. Quão pouco eu progredi, viu!

Preciso pensar melhor sobre isso.

No hospital veterinário

Sábado, fomos visitar Mila no hospital veterinário. Enquanto assistíamos à fisioterapia dela, as crianças percorriam as gaiolas dos outros animais internados.

Daqui a pouco, Fernanda, em frente à gaiola de um gatinho, chama nossa atenção:

- Ai, que fofinho...! Duda, mamãe, vem ver que gatinho lindinho, dormindo com a linguinha de fora.

Duda se adiantou e foi lá.

- Esse gato tá morto, Nanda.

- Num tá não.

- Tá morto, Nanda. Nem tá respirando. Mamãe! Tem um gato morto aqui.

E eu:

- Filha, o gato está dormindo porque está doentinho, mas não está morto.

- Ele está morto, sim, venha ver.

Quando cheguei lá, o gatinho lindinho e fofinho estava com dois palmos de língua de fora, mortinho da Silva. Dirigi-me a um rapaz que estava por ali, cuidando dos animais:

- Moço, o gato daquela jaula está morto.

- Não, Senhora. Ele está dormindo.

- Ele está morto, moço. Três palmos de língua de fora e não está respirando. Tá morto, sim.

O rapaz, meio a contragosto, foi conferir com os próprios olhos. De fora, já não gostou do que viu. Abriu a gaiola e tentou mexer com o gato. O bichano já estava com
rigor mortis, e fiquei pensando há quanto tempo deveria estar morto, coitado.

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Eu estava na sala de recepção do hospital, com as crianças, enquanto Iran acompanhava a fisioterapeuta. A certa altura, chega uma moça com um edredom nos braços e alguns outros apetrechos. Eu e as crianças olhamos com curiosidade, acreditando que havia um bichinho enrolado no cobertor, mas não. Ela pediu à recepcionista para entrar e não a vi mais.

Iran depois me contou de uma moça que chegou com um edredom, dirigiu-se à jaula onde havia uma cadelinha vira-lata de uns 14 anos, muito doente, com câncer. Segundo ele, a moça acomodou cuidadosamente o animalzinho no edredom e depois a limpou caprichosamente com lenços umedecidos. Fazia isso chorando silenciosamente e com um carinho de emocionar qualquer um.

A cadelinha não esboçou qualquer reação. Estava muito mal realmente. Mas o amor de sua dona com certeza não passou despercebido pra ela, pois exalava forte pelo ambiente. Aquele cuidado amoroso era, também, uma forma de despedida.

Existem bebês feios?

Estávamos eu, Duda e Nanda conversando em casa, em cima da minha cama, à noite.

Falávamos sobre o evento da Primeira Comunhão da Duda. Quem tinha ido, quem faltou. De repente, lembrei de Fernandinho, filho do meu primo Rodrigo, e falei:

- Meninas, o Fernandinho está lindo demais, não está?

- Ai, mamãe, ele é muito lindinho!

E Nanda, como sempre:

- Ele é um fofo! - pra ela, tudo é fofo. hehehehe.

Duda lembrou:

- Ah!, mamãe, eu não conheci o Gustavo, filho da tia Flávia. Você não levou a gente pra visitá-lo.

Flávia, minha prima, foi morar em Londres no final de outubro. O bebê estava com uns três meses e, antes disso, eu não tive como visitá-los. As meninas apresentaram quadro de rotavirose e, como o período de incubação é bem longo, não quis arriscar visitar o bebê com a presença das duas. Assim, eu e Iran aproveitamos para visitá-lo num sábado à tarde, um dia antes de partirem para Londres, aproveitando que as meninas estavam na catequese.

- Mamãe, o Gustavo é bonitinho? - perguntou Duda.

- Ué, filha! E você já viu algum bebê feio?

Rápida como um raio, e com a naturalidade e sinceridade típicas das crianças, ela respondeu:

- Já, mamãe, VÁRIOS!! VÁRIOS!

Eu e Nanda caímos na gargalhada.

Brigas entre filhas

Minhas filhas fazem tudo juntas. Foi pra isso que desejamos tê-las com intervalo bem próximo uma da outra. Assim, brincam juntas, tomam banho juntas, jantam juntas, vão juntas pra casa das amiguinhas e pras festinhas, dormem no mesmo quarto, enfim, estão sempre coladas uma na outra.

Eu e meu marido achamos isso até bonitinho... até que surgem os arranca-rabos. Proximidade demais gera conflitos também. O problema é quando esses conflitos são de natureza totalmente ... infantis - tá..., não poderia ser diferente, né? Afinal, são crianças. Mas é que, algumas vezes, a coisa é irritante.

Vejamos duas situações ocorridas recentemente:

1) Ambas dentro do box, tomando banho juntas, como sempre fazem. Geralmente, o banho é recheado de cantorias, piadas e muita gargalhada. Mas, um belo dia, Duda resolve sair do banho antes da Nanda. Esta, então, resolve implicar. Segura a porta do box para a irmã não sair. Começa a choradeira e gritaria.

Pro azar de ambas, calhou que, nesse momento, eu resolvi ligar pra casa para perguntar alguma coisa a alguém. Pelo telefone, escuto a gritaria. Barraco total!

Pergunto à babá delas o que está acontecendo. Quando ela me explica, não consigo acreditar. Chamo a Duda, que vem aos prantos tentar explicar o que está ocorrendo. E se derrete em acusações contra a irmã implicante.

Chamo a Nanda, que, também, já vem aos prantos e já se desculpando, sabendo que fez merda, dizendo que já abriu a porta do box e deixou a irmã sair - o que era bastante óbvio, visto que sabia que eu estava chamando Duda ao telefone.

Dou-lhes uma bronca daquelas, ameaço deixá-las de castigo até a idade adulta, sem sair pra canto algum, e desligo o telefone.

2) Dia: hoje. Cenário: meu marido, no trabalho. Toca o telefone. Duda aos prantos dizendo que está tentando escutar música no computador (via youtube) e Nanda implicando, dizendo que precisa estudar e não consegue fazer isso com a música tocando.

Duda diz que tentou fechar a porta para Nanda não escutar a música. Nanda não deixou Duda fechar a porta. Uma empurra a porta para fechar, e a outra se interpõe no caminho impedindo a porta de bater. Nesse vai e vem, Duda machuca o dedo na porta e o barraco atinge proporções enormes.

O pai dá uma bronca na Duda e manda chamar a Nanda. Esta chega aos prantos ao telefone e diz que já falou pra irmã que não precisa fechar a porta, pois ela consegue estudar com a porta aberta e a música tocando. O pai lhe passa uma descompostura e ela passa a piar baixinho.

É impossível não rir quando deparamos com essas situações. Hoje, eu e meu marido, sozinhos - e bem longe delas - gargalhávamos lembrando dessas histórias. A sorte é que essas situações "seríssimas" de conflito jamais terminam em pancadaria. Nunca ousaram levantar a mão uma contra a outra. Damos graças a Deus por isso. Eu e o pai morreríamos de desgosto se apelassem pra agressão física. Mas acho que elas sabem que, se isso acontecesse, a coisa iria ficar realmente feia pra ambas. Talvez, tivéssemos que ampliar a extensão do prazo de proibição de sair para até os 50 anos de ambas.

Brincadeiras à parte, o tipo do castigo não assusta tanto quanto o tom que eu e o pai delas usamos para decretá-lo. Isso é que faz toda a diferença.