domingo, 26 de julho de 2015

A troca

Cansada de sair de casa e ver as meninas afundadas no sofá vendo televisão ou - pior - enfeitiçadas pelo computador, decidi colocar moral:

- Hoje, assim que acabarem de fazer o dever do Kumon, saiam com Antônia e dêem três voltas ao redor do condomínio.

Depois, orientei a babá que se houvesse, por parte de qualquer uma das duas, recusa em atender meu pedido, eu deveria ser avisada imediatamente por telefone.

Nosso condomínio é bem pequeno. As três voltas consomem cerca de 20 ou 25 minutos. Meu objetivo, ao dar a ordem, era fazê-las se movimentar um pouco, tomar um banho de sol - que, aliás, naquele dia, estava maravilhoso.

Eduarda, como sempre, ficou irritada, protestou, mas eu nem dei cabimento pra argumentação. Entrei no carro e fui trabalhar.

Cheguei no trabalho e, dali a algum tempo, toca o telefone da minha mesa.

- Oi, mamãe, é Nanda.

- Fala, filhinha.

- Mamãe, você mandou a gente dar três voltas no condomínio, não foi?

- Foi, amor. Por quê?

- Será que poderiam ser duas voltas e aí a gente fica lá fora brincando de elástico?

Controlei-me para não cair na gargalhada com a proposta dela.

- Não tem problema, amor. Podem fazer isso. Mamãe só quer que vocês brinquem lá fora um pouco, tomem sol, em vez de ficar o tempo todo trancada dentro de casa vendo TV ou brincando no computador.

Desligou satisfeitíssima.

No dia seguinte, mesma orientação, bem antes de eu sair pro trabalho. De repente, vejo Duda chegando ofegante. Saquei logo: para voltar logo pro computador, deu as três voltas correndo. Espertinha, a garota. Mas a mãezinha dela é mais. Imediatamente, estabeleci nova regra:

- Filhinha, as três voltas devem ser CAMINHANDO, e não correndo, ok?

Ela ficou meio sem graça, mas não falou nada.

Cada uma, viu!

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