domingo, 26 de julho de 2015

Desfile da Disney na Esplanada dos Ministérios

Eu, Iran, as crianças, Andréa, Maria Fernanda, Marivaldo, Renata e as crianças, Flávia e Beatriz conseguimos sobreviver ao desfile da Disney que ocorreu ontem na Esplanada dos Ministérios, na comemoração dos 50 anos de Brasília.

Brasília amanheceu ontem com um céu belíssimo - aliás, eu sempre digo que não existe céu mais bonito do que o desta cidade. Sol a pino. Não havia uma nuvenzinha sequer pra fazer uma sombrinha de vez em quando. O azul mais lindo do mundo.

O desfile percorreu a Esplanada, cercada por grades que impediam o avanço do povo. As pessoas se apertavam umas contra as outras, tentando conseguir uma brecha para ver a parada.

Andréa chegou cedo e pegou um lugar encostado na grade, facilitando a visão das crianças. Logo depois, chegamos eu, Iran e as meninas, seguidos por Marivaldo, Renata, as crianças, Flávia e Beatriz. Colocamos as crianças encostadas na grade - exceto minha Fernanda, que se revezou nos meus ombros e nos de Iran, e Thiago, que ficou nos ombros de Marivaldo.

O desfile estava marcado para as 10h30, mas atrasou um pouco e começou quase 11h00. Cerca de doze carros com diversos personagens da Disney desfilaram diante dos olhos desesperados de cansaço e calor dos adultos e extasiadamente maravilhados das crianças. Havia um intervalo desesperador de mais ou menos 5 minutos entre um carro e outro. Iran ansiava pelo carro do Mickey, porque acreditava - acertadamente - que seria o que fecharia o desfile. E vieram os carros do Pato Donald e Margarida, Pequena Sereia,
Peter Pan, Toy Story, Lilo e Stitch, Tinker Bell, os vilões da Disney, Mene e as ferramentas - os adultos que estavam ali nunca nem tinham ouvido falar desse - Jack Sparrow e os piratas do Caribe, Ursinho Pooh, as princesas, Mogly, os Dálmatas e, finalmente, pra fechar o desfile, MICKEY e MINNIE.

Vale destacar a hora em que Cruela, a vilã dos Dálmatas, passava deslumbrante e o povo gritava DILMA! DILMA! DILMA!
Isso não tem preço.

Mesmo com nós, adultos, formando uma parede para proteger as crianças que estavam em nossa frente, umas outras cinco crianças, instadas pelos pais, conseguiram penetrar esse bloqueio e disputaram lugar com nossos filhos. Andréa ficou fula da vida e desceu do salto com a mãe de uma dessas crianças. A mulher chegou às 11h00 e queria ficar na frente também. Xingava Andréa e mandava as filhas delas tomarem cuidado porque Andréa ia bater nas meninas. E Andréa incorporou:

-
Escuta aqui, minha senhora, eu sou mãe e não vou bater nas suas filhas, mas acho uma tremenda cara de pau da sua parte chegar às 11h00 e ainda querer ficar na nossa frente. Se enxerga, minha filha! Eu cheguei aqui às 08h00 pra pegar lugar. Se a senhora queria ficar na frente que chegasse cedo.

Geniozinho bom da família. Tive o maior orgulho da minha priminha defendendo nossas crias. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!

Flávia, a essa altura, já tinha ido atrás de uma sombra, porque Beatriz adormeceu - ou talvez tenha desmaiado, ninguém sabe ao certo - nos seus braços. Só voltamos a vê-la depois na casa de tia Icléa.

E Iran continuava a perguntar a Fernanda, empoleirada nos seus ombros:

- Fernanda, minha filha, você consegue ver se o próximo carro já é o do Mickey?

- Não, papai, acho que ou é do
Tarzan ou da Tinker Bell, porque é verde.

-
%$#@$%*$# ! Amor, você e Andréa nunca mais vão me convencer a participar de uma coisa dessas, ouviu? Nunca mais! Foi a primeira e a última vez.

Ele se esquece que quem inventou essa história foi Airtinho. Sim, meu querido irmão foi quem nos falou do desfile da Disney, mas não ficou pra ver. Na verdade, nem conseguimos encontrar com ele, Carla e Marcella naquela confusão de gente. Ele participou da corrida de revezamento e depois, como estava pingando de suor, foi-se embora com Carla e Marcella.

Renata, espremida bem atrás, sem conseguir ver coisa nenhuma, ao me ouvir reclamar do calor e da dor na coluna, dizia:

-
Prima, pelo menos você consegue ver alguma coisa. E eu aqui que estou espremida e não consigo ver nada?

- Se preocupa não, prima. Eu "twitto" pra você. Agora, neste exato momento, o Mogli está passando com chapinha no cabelo e vestido com uma cueca vermelha ridícula.

E tome gargalhada.

Enquanto isso, um cara que estava atrás do Iran e não conseguia ver coisa alguma, não perdia a chance de ser engraçadinho. Chamava Iran de assessor de Imprensa e perguntava:

- Ô, meu assessor de imprensa, diz aí quem tá passando agora.

Olhava pro homem da equipe de apoio, que ficava depois das grades, na nossa frente, e dizia:

- Ei, Apoio! Fala comigo que eu tô carente.

Antes do desfile começar, enquanto derretíamos de calor, ele soltou esta:

- É nessas horas que a gente dá valor pro sofá de nossa casa.

Havia uma mulher com um guarda-chuva enorme atrás da gente, cuja sombra conseguia atingir Marivaldo, Renata e um pouco de Iran. Mas, quando Iran colocou Fernanda nos ombros, a ponta do guarda-chuva ameaçava os olhos da pequena. Quando eu vi aquilo, eu gritei:

-
Fecha o guarda-chuva! - eu ainda não tinha notado que Marivaldo, Renata e Iran estavam desfrutando da sombra dele.

Iran grita:

-
Você tá louca? Cala a boca! Não fecha o guarda-chuva, não!!

E Marivaldo se
junta ao coro:
- Deixa o guarda-chuva aberto, minha senhora! Ela não sabe o que está falando.

Acho que o povo pensou que ia sair briga porque não sabiam que estávamos todos juntos.

E
tome mais gargalhadas.

- Fernanda, minha filha, diz pra mim que quem vem agora é o carro do Mickey.

- Não, papai. Agora é o carro das princesas. Que legal!

-
%$#@$%*$# ! Afinal, alguém sabe dizer quantos personagens tem a Disney?

De repente, não sei de onde veio nem como, uma garotinha de uns quatro anos está plantada na minha frente, apertada, sem conseguir ver nada. Olhei pra ela e perguntei:

- Quem é você?
Cadê seus pais?

Olhei em volta e vi um suplicante, lá atrás, olhando pra mim com aquela cara do gato de botas do SHREK:

- É minha filha. Ela tá querendo ver também. Dá um jeitinho aí.

Pensei em recusar e mandar a garotinha de volta, pois ali já estava muito apertado. Mas ela me olhou com aquele olhar pidão, sem dizer uma palavra, e eu acabei cedendo. Resultado: a cada carrinho que passava, eu - ferrada de dor na coluna, saindo de uma crise braba que me atacou desde domingo e ainda sob efeito de remédio - levantava a criaturinha pra ver. Ainda bem que era magrinha, viu.

Nesse meio tempo, umas cinco outras crianças já tinham conseguido ultrapassar nosso bloqueio. Um deles, um tal de Vítor, com seus 9 anos, tentou ficar na frente de um garoto maior que estava mais pro lado. O garoto não deixou. Volta o Vítor, pau da vida, e reclama pra mãe. A mãe responde:

- Volta pra lá e diz que você tem direito.

Lá vai o Vítor de volta, furando nosso bloqueio, pra fazer valer os seus direitos:

-
Ei, me deixa ficar aí porque eu tenho direito. Eu sou menor que você e tenho direito de ficar na frente.

O pedido funcionou. Vítor conseguiu um cantinho na frente, encostado à grade.

Esse Vítor encheu o
saco. Lá da frente gritava pra mãe que estava lá atrás:
- Mãe! Ei, mãe!! Levanta a mão aí pra eu te ver!

A mãe dava tchau lá de trás e ele gritava:

-
Saudades, mãe!

Daqui a pouco, o Vítor gritava:

-
Mãe, passa o fandangos!

E lá vem o fandangos, lá de trás, passando de mão em mão - ou de mãe em mãe - até chegar nas mãos do Vítor.

E, assim como o Vítor, todas as crianças que haviam furado nosso paredão pediam uma coisa ou outra. E vinham água, yakult, pipoca, coca-cola, cachorro-quente. Acho que só não passaram por nossas mãos frango e farofa, porque tinha de tudo um pouco.

-
Ei, manda esse yakult aí pra minha filha, aquela moreninha ali.

E lá vinha o yakult passando pelo alto, por cima de nossas cabeças, até chegar nas mãos da garotinha, que gritou de volta:

-
Mãe! Eu não quero yakult. Quero água.

Volta o yakult de mão em mão e vem a água!

- Fernanda, minha filha, agora é o Mickey ou não é???

- Não dá pra ver, papai. Peraí.... tô quase vendo....
É O MICKEY, SIM, PAPAI! É O MICKEY E A MINNIE!

Nesse momento, uma cena linda de se ver: Iran e Marivaldo pulando de alegria e gritando juntos:

-
ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!! É O MICKEY! QUE ALEGRIA! É O MICKEY! FINALMENTE O MICKEY!

O mickey passou, fechando o desfile, e, finalmente, pudemos ir embora. Olhei pras baixinhas e perguntei:

- E, aí, meus amores, vocês gostaram?

- AMEI. - diz Nanda.

- ADOREI, mamãe. - responde
Duda.

E lá seguiram comentando cada carro do desfile, ainda extasiadas. Ainda tivemos que caminhar da Esplanada até o Setor de Autarquias, único lugar onde conseguimos estacionar o carro.

Flávia, que tinha ido com Renata e Marivaldo, não estava mais lá porque tinha conseguido carona de volta pra casa, com uma amiga vizinha. Mas, quando chegou em casa, notou que havia levado as chaves do carro. Teve que pegar um outro carro e voltar pra entregar a chave a Renata e Marivaldo.

Resumo da história: Duas coisas fizeram valer essa agonia toda: a cara de satisfação das crianças e o fato de estar participando da festa de aniversário da cidade que amo e que me adotou há 31 anos.

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