domingo, 26 de julho de 2015

Esquisita e contraditória

Estamos todos sentenciados ao confinamento solitário dentro de nossas peles, por toda a vida.
(Tennessee Williams)

Hoje, tirei a tarde de folga porque estava meio agoniada. Minha vida anda tão corrida que eu estou num estresse só. Trabalho, mil reuniões, levar crianças na escola, resolver coisas correndo no curto espaço de tempo do horário do almoço, pegar crianças na escola e enfrentar um senhor engarrafamento, ir pro krav magá, enfim, parece que estou sempre correndo atrás de uma coisa ou outra. E, quando o fim de semana chega, sempre um compromisso ou outro para atender. Sorte que meu marido está sempre comigo, dividindo ou compartilhando comigo essas tarefas.

Não que eu tenha algo do que reclamar. Nada disso. Graças a Deus estou com saúde e tudo se resolve de forma satisfatória. Mas é que não consigo ficar muito tempo nesse ritmo alucinante sem dar uma parada. Eu preciso de silêncio e quietude como preciso de comida, senão fico mal. Por isso, às vezes me permito esses momentos de total isolamento. Tranco-me no quarto, ligo a tv - às vezes nem presto atenção ao que passa na telinha, pois fico divagando -, ou leio um livro, ou durmo um pouco. Apenas eu e Deus.

Nessas horas, eu me reabasteço de mim mesma. Engraçado, não é? Enquanto a maioria das pessoas passa o tempo todo procurando companhia desesperadamente, com medo de se sentirem sozinhas, eu sempre busquei um pouco de solidão aqui e ali. Muitas vezes me pego pensando que, se não fosse casada, provavelmente seria uma dessas pessoas esquisitas que passa a maior parte do tempo lendo, restrita aos limites da minha casa. Só não teria gatos - sou extremamente alérgica a eles. rrrrrssssssssssss.

Não é que não goste de contato com pessoas. Muito pelo contrário. Eu gosto de gente e até me considero um ser gregário! Mas, de vez em quando, gosto de estar só, quieta no meu canto, no total silêncio.

Criatura esquisita e contraditória sou eu.

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