domingo, 26 de julho de 2015

No hospital veterinário

Sábado, fomos visitar Mila no hospital veterinário. Enquanto assistíamos à fisioterapia dela, as crianças percorriam as gaiolas dos outros animais internados.

Daqui a pouco, Fernanda, em frente à gaiola de um gatinho, chama nossa atenção:

- Ai, que fofinho...! Duda, mamãe, vem ver que gatinho lindinho, dormindo com a linguinha de fora.

Duda se adiantou e foi lá.

- Esse gato tá morto, Nanda.

- Num tá não.

- Tá morto, Nanda. Nem tá respirando. Mamãe! Tem um gato morto aqui.

E eu:

- Filha, o gato está dormindo porque está doentinho, mas não está morto.

- Ele está morto, sim, venha ver.

Quando cheguei lá, o gatinho lindinho e fofinho estava com dois palmos de língua de fora, mortinho da Silva. Dirigi-me a um rapaz que estava por ali, cuidando dos animais:

- Moço, o gato daquela jaula está morto.

- Não, Senhora. Ele está dormindo.

- Ele está morto, moço. Três palmos de língua de fora e não está respirando. Tá morto, sim.

O rapaz, meio a contragosto, foi conferir com os próprios olhos. De fora, já não gostou do que viu. Abriu a gaiola e tentou mexer com o gato. O bichano já estava com
rigor mortis, e fiquei pensando há quanto tempo deveria estar morto, coitado.

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Eu estava na sala de recepção do hospital, com as crianças, enquanto Iran acompanhava a fisioterapeuta. A certa altura, chega uma moça com um edredom nos braços e alguns outros apetrechos. Eu e as crianças olhamos com curiosidade, acreditando que havia um bichinho enrolado no cobertor, mas não. Ela pediu à recepcionista para entrar e não a vi mais.

Iran depois me contou de uma moça que chegou com um edredom, dirigiu-se à jaula onde havia uma cadelinha vira-lata de uns 14 anos, muito doente, com câncer. Segundo ele, a moça acomodou cuidadosamente o animalzinho no edredom e depois a limpou caprichosamente com lenços umedecidos. Fazia isso chorando silenciosamente e com um carinho de emocionar qualquer um.

A cadelinha não esboçou qualquer reação. Estava muito mal realmente. Mas o amor de sua dona com certeza não passou despercebido pra ela, pois exalava forte pelo ambiente. Aquele cuidado amoroso era, também, uma forma de despedida.

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